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irmão lúcia



Terça-feira, 18.07.06

crónicas ortográficas de um alfassinha # 5, especial brincar aos críticos

chego e escrevo, escrevo a quente depois de levar a pancada e quando ainda não dói, o quente de qualquer dos modos não é metafórico, experimente-se viver num último andar em tempos de canícula e depois me de dirão, mas disso de dizer e palrar é a minha vez, embalado pelo swing de um certo e determinado preto que rapa, que dança, que brinca aos meninos da mamã e debita soul, bate paiminhas e sua a camisa, esqueça-se o dandy de blaser branco, olá sovaco e cordame de cristo na seda, e não na selva, pois o suporte é a camisa e não a peitaça farfalhuda à portuguesa.
no aquecimento temo pela vizinhança "estou, estás boa? estou aqui no cool jazz, vim aqui ver um tipo qualquer", também eu gostava de ser assim desprendido mas fazem-me comichão os 25 euros que larguei pelo privilégio portanto esse 'um qualquer' que pule e dance pois o montepio pouco folgado assim o exige.
sete meninas de cordas e arcos, um casal de coro, um menino dj e bivalve, muito mexilhão, arraçado do tipo dos dna's do CSI las vegas mas aqui o mistério tem pernas curtas, o performer acaba de se fazer ao estrado e arranca com os diamantes de sangue da serra leoa, Dame Shirley Bassey não pôde comparecer, acantonada no Mónaco não achou onde atracar iates no jardim apalaçado do Pombal, uma lástima. fujo ao dizer exaustivo, o Kanye a entremear entre o college dropout e o late registration, dois álbuns sumarentos espremidos até ao osso, não sei se deva fazer analogias de fruta com perónios mas assim como assim o blogue é meu, pelo meio interlúdios de gira-discos com o pairar da sombra dos eurythmics, do damian marley, gnarls barkley ainda agora chegaram à boca de cena e já pôem o povoléu a cantarolar em coro, todos juram estar crazy mas o frontman é que ninguém o agarra, cruza o palco, hands in the air, jump, jump, jump, MC de cadência de ribanceira abaixo, vertigem, interlúdio, mais scratch, as mil maneiras de trapacear um vinil fossem minhas as mãozinhas e ficava mais riscado do que um discurso de político profissional, breakdown, relaxe, isto também é um evento soul, mãozinhas a dar a dar, viva a liberdade. lá do fundo já se adivinha a catarse, Kanye faz um medley de beats - a palavra é do dito - compostos para os amigos e outros trepadores de tops e não, não estou a falar de roupas ousadas mas sim de força de vendas, lá na terra mandam os brancos que não impedem os filhos de balançar a anca ao som dos pretos, que desgraça já partilhamos os bancos do autocarro qualquer dia querem ir morar lá para casa. segue-se uma salada de frutas enfeitada de canções favoritas do líder de palco, traçados e pautas mais ou menos consensuais mas chega o momento que faz estremecer a populaça "this next song is one of my favourites, this is no joke, serious, this is no joke, check it out" e o dj liberta para os colunas take on me dos Aha, é o deboche, o supremo gozo, o homem que a Time pôs no top 100 dos mais infleuntes balança o corpinho ao som dos oitentíssimos noruegueses, já me está a escapar o vocabulário para a sarjeta, a criar jargão, deve ser do entusiasmo que eu com a música sou como a criançada a brincar com os playmobil, começa tudo compostinho mas no fim era um mar de adereços perdidos e arrancar de cabeças.
tempo de pausa, regresso e encore, confissão amarga contra apressão dos sempre vilões media, ninguém me separa do meu público, eu [ele] não sou o único a comprar revistas atrevidas, qual é o problema em gostar de maminhas e rabos, Kanye podes chorar no meu ombro, eu também não vejo onde está esse busílis e compreendo a insaciabilidade. momento burlesco com o epílogo Touch the Sky, a interpretação pára de repente "I screwed up the song, let's start again", em tirada de humor à incompreendido Andy Kaufman ameaça-se recomeçar o concerto, volta-se aos acordes iniciais dos diamantes da Sierra Leone mas o artista diz-se cansado, nem pensar em fazer tudo outra vez, canta-se a cançoneta sem o convidado Lupe Fiasco, nome anacrónico para quem participa em tamanho sucesso orelhudo, a assistência diz que quer tocar o céu e é antes de morrer que isso de lá ir depois ninguém tem bem a certeza, faz-se a encenação final, o homem abandona o palco, explode o aplauso o casal-coro faz um fade out à melodia, calam-se as cordas devagarinho, o espectáculo está encerrado, o povo aos pés do king west.
definitivamente, black is beautiful.

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por Pedro Vieira às 00:56



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