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irmão lúcia



Sábado, 13.10.07

grande gala 'azinheira spoken word', tomo 3

Percebo agora que não é fácil escrever sobre Fátima.

Já foram feitas todas as piadas possíveis a respeito, e a despeito, da Vossa Senhora. É difícil ser original. É mais difícil ainda superar a maior de todas as piadas. E além de todas estas dificuldades, há a notória impossibilidade de parodiar Fátima sem parecer herege. Como tal, esclareço desde já que não vou tecer qualquer comentário jocoso sobre a Irmã Lúcia, amante secreta de João Paulo II.


Ao invés, vou partilhar os momentos em que a história de Fátima se cruzou com a minha breve existência. Para azar meu e sorte vossa, não tenho muito por onde me alongar. Quis a mão invisível que nos comanda que eu e Fátima não nos tenhamos (tênhamos, se estiver algum jogador da bola a ler) cruzado em demasia. No entanto, certa tarde de Agosto em que viajava nesse inferno que dá pelo nome de Estrada Nacional nº1, quase tinha um encontro imediato com um camião tir, à conta de um grupo de peregrinos à beira estrada plantados, cujas boas intenções não ponho em causa, e que tentaram antecipar a minha subida aos gloriosos céus. Eu, insurrecto e insubordinado aos Seus altos desígnios, evitei a tempo o choque frontal com o Senhor.


Tirando este pequeno quid pro quo, tenho que admitir que gosto de peregrinos. Via-os passar quase todas as manhãs de Queima das Fitas em Coimbra, em antevésperas do 13 de Maio. Em sentidos contrários, acenávamo-nos mutuamente. Eram muitos, apesar de poderem ser apenas metade dos muitos que eu via. E trajavam colete amarelo. Trajaram-no antes de ser obrigatório para todos nós, ateus automobilizados preguiçosos, o que, não os tornando videntes, faz deles evidentes visionários.


E concluo, que isto de roubar espaço na casa dos outros tem limites, com o mais importante. No dia do funeral da irmã Lúcia não fui trabalhar. A multidão era tanta na Sé Nova de Coimbra que não consegui chegar ao Departamento de Zoologia da Universidade, contíguo ao espaço sagrado onde repousavam os restos mortais da vidente de Fátima. (Compreender-me-ão, não podia terminar este texto sem escrever a expressão " vidente de Fátima"). Mas consegui terminar escusando-me a dizer o que penso sobre Fátima. A verdade é que não penso muito no fenómeno. Mas espero que tenha uma longa e saudável vida, que nestes tempos de vacas magras, vai não vai penso em montar um negócio de velinhas e medalhões ao lado do Santuário. Podendo não ser o suficiente para a Salvação da minha alma, parece que dá uns trocos.

FIM


João, inquilino do last breath

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por Pedro Vieira às 20:12



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