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irmão lúcia



Terça-feira, 16.12.08

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com recursos intelectuais ao nível de uma amiba mas com a ousadia de um dias loureiro também eu gosto de espalhar as minhas referências culturais, sem passar necessariamente por porto rico, glosado na voz dos vaya con dios, que por acaso até eram belgas como os gipsy kings. vá lá uma pessoa entender-se neste mundo pós-moderno. dizia. gente com classe e com mais neurónios do que um protozoário costuma dizer que se deve voltar uma e outra vez à recherche do proust, eu vou voltando aos soul coughing e recomendo. é uma banda que marcou o meu crescimento, sendo que esta frase é uma manobra de diversão destinada a disfarçar a minha infantilidade, como se em algum capítulo eu já tivesse alcançado o estado de adulto (conferir por favor o capítulo comprimento do pénis).

os soul coughing, então, que depois de um álbum subterrâneo e de um outro que os projectou à boleia de um super bon bon (sujeito a uma remistura explosiva dos propellerheads), editaram el oso, ou seja o urso. por causa deles fui pela primeira vez ao dicionário conferir o significado de solipsismo, bojarda com que a imprensa da especialidade os classificava amiúde, e eu discordo desse autocolante de egoísmo superlativo, sobretudo dirigido a quem nos deixou grandes pérolas em forma de rodela de cd, como este rolling, que abre o urso, em batida sincopada, voz nasalada e keyboards que se fazem notar. e entretanto, o empolgamento.

eu gosto especialmente de secções rítimicas e do som grave, de baixo ou contrabaixo, e neste rolling o mesmo resguarda-se até ao minuto e oito, altura em que dá ar da sua graça, para a partir do minuto e quinze exibir um som tão gorduroso como as artérias de um habitante da mealhada. a partir daí é saltar e vibrar, assistir ao tresloucar dos teclados, mesmo que habitemos num prédio sem placa, conceito a que hei-de voltar nestas crónicas, e com vizinhos de baixo directamente saídos do consultório do antónio lobo antunes, à altura em que exercia, ou mesmo depois, que aquilo de andar disfarçado de escritor lá porque despiu a bata não me convence.

a partir daí o alinhamento prossegue com o bestial misinformed mas para usufruirem desse naco de bela prosa música ouçam vocês o disco, que o cachet do sinusite é demasiado curto para tanta informação de borla. ai, estes saudosos soplipsistas por quem o povo de lisboa invadiu o palco da aula magna, bons tempos, esses, em que tínhamos os nossos momentos de pequeno distúrbio enquadrado à laia de uma atenas mais moderada.

ps: o video que aqui se mostra não é oficial, serve só de muleta à cançoneta


texto publicado no renascido e muito recomendável sinusite crónica

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por Pedro Vieira às 11:28



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