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irmão lúcia



Segunda-feira, 27.02.12

uma sexta leitura do ano, fazendo por continuar no bom caminho aberto pelo purgatório

 

 

andava há meses para deitar o dente às 600 páginas do último Padura, que se abalançou a contar um episódio que ilustra toda uma decepção, a saber, o assassinato de Trotski no méxico em 1940 serve como boa metáfora para o ruir da utopia comunista, devorada pelos próprios criadores desde muito cedo, lembra aquele quadro do saturno a mastigar quem ele próprio gerou, obra-prima de um goya tão espanhol como a tragédia da guerra civil que trespassa todo este relato, e temos portanto um excelente livro de história que é livro de ficção, ou vice-versa, um relato de fôlego que poderia resumir-se numa só palavra, desencanto. numa só palavra, amargura. em mais do que uma palavra, a nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer, sobretudo se a rodearmos de mentira dissimulação incerteza, pinceladas com um cinismo que assusta. uma história que são três, contadas a partir da vida de três homens, leon trótski, ivan e ramón mercader que é jacques que é jacson que é lopez, que é pavlovitch, contadas com uma elegância de escrita que invejo, sem malabarismos, sem prosa barroca, na corrente, apenas, como se diz daquela melodia milagrosa do paredes, seiscentas páginas de romance que se lêem como um romance, pleonasmos à parte, que eu até gosto deles, de ser redundante e de me embrulhar nos raciocínios porque sei que a limpidez, a clareza estão à mão de semear, neste caso com a ajuda de um cubano eloquente, não o são todos? em plano de fundo, estaline, responsável (i)moral pelo assassinato de um homem que também não acreditava em tragédias individuais, apenas em desígnios colectivos a qualquer preço. pela boca morre o peixe, pela missão morre por dentro um homem que foi vários, a tragédia de mercader que foi a de muitos outros: acreditar e sobreviver demasiado tempo à desilusão. como ivan, sepultado pela inércia moral e material e por tudo o que podemos controlar, ou não, nas nossas vidas. já sabíamos que não há grande lugar para a ingenuidade. e ele há livros do caralho.

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por Pedro Vieira às 18:47



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