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irmão lúcia



Quinta-feira, 07.11.13

R. Mutt

é mais ou menos conhecido o facto de a minha redacção, o meu covil, estar situado no último andar de um hotel de lisboa, situação que alia estranheza e cosmopolitismo em partes iguais (quer dizer, a estranheza é maior), se bem que não troco as viagens de elevador em modo prensa no meio de adolescentes italianos ou velhinhos japoneses por umas instalações de luxo na periferia que tragam atrelados uma série de trabalhos sujos como aquele que a correio da manhã tv fez à porta de casa de uma apresentadora desavinda com o marido, mas adiante, no piso onde fica a dita redacção, o nono, existem umas instalações sanitárias que há poucas semanas passaram a incluir umas rodelas azuis e desinfectantes nos dois urinóis à disposição, coisa nunca vista, aleluia, e ainda há quem diga que a retoma não está aí, cínicos, é o que é, não conseguem reconhecer as maravilhas os unicórnios os milagres económicos que nos vão povoando a pouco e pouco o dia-a-dia, portanto, urinóis artilhados, na lógica de valorização das loiças sanitárias que só encontra paralelo em marcel duchamp, ora se a vanguarda europeia contou com este marcel que acabaria por marcar a ferro em brasa a cultura em geral e o valor da arte em particular, à nossa escala contámos com um marcel caetano, professor de direito injustiçado por uns oficiais do meio da tabela e exilado à força no brasil, sendo que hoje desfrutamos de um marcel rebelo de sousa, alinhado com duchamp por ser o mais dada dos comentadores, nomeadamente no que toca a apresentação de lombadas a metro, e isto é um excelente sinal, até porque poucas coisas são mais prementes do que a relação entre os urinóis e a matéria que contêm, ou melhor, poucas coisas são mais prementes do que a relação entre arte e política, e no microcosmos onde eu habito tendo a reparar que o sanitário colocado mais à direita é muito mais utilizado do que o seu homólogo canhoto, o que significa que os homens das minhas relações laborais tendem a utilizar o posicionamento ideológico que está mais à mão (o desgaste relativo das rodelas de desinfectante provam-no), talvez pelo facto de o urinol da direita estar mais perto da entrada das instalações, que ficam separadas da zona desmilitarizada do piso por umas portas de saloon, quem nunca se sentiu john wayne quando apontava à loiça que atire a primeira pedra, mas sem querer dispersar-me, o urinol da esquerda fica um tudo-nada mais afastado, é possível que seja necessário dar mais dois passos para alcançá-lo, razão pela qual o da direita serve melhor o governo da nossa pequena república constituída por guionistas e repórteres que se aliviam amiúde, e também por isso o da direita está normalmente mais pejado de pentelhos, o que não surpreende, desde eduardo catroga que sabemos que a direita se dá melhor com a opinião púbica, e tudo isto reforça o facto de a esquerda implicar mais esforço, mais tenacidade, mais passos dados, mais caminhos percorridos, azar dos purismos e das paixões, má-sorte de quem insiste em não utilizar a letra em tamanho 16, mais o duplo espaço, até porque a direita, em caso de absoluta necessidade e aperto, mija onde é preciso. se necessário mija-nos em cima. e foda-se, já vou estando cansado da chuva dourada.

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por Pedro Vieira às 22:30



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