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irmão lúcia



Domingo, 16.03.14

tropa fandanga

não ia à revista há muitos, muitos anos, pelo menos vinte, até porque da última vez que visitei essa grande instituição dos palcos portugueses fi-lo no salão dos bombeiros da parede, ocasião em que uma senhora que estava sentada na minha fila se mijou pelas pernas abaixo, tudo por causa de uma rábula em torno de um taxista, enfim, spare me the sordid details, darling, o que é facto é que nunca mais tive vontade de ver números musicais ou paródias ou números de coristas, já os números sérios vemo-los todos os dias, adiante, tanto tempo depois regressei à revista para ver a tropa fandanga, porque esta é das modernas, condição que serve de isco às tribos urbanas que se têm em boa conta - também enfio a carapuça - e dei o tempo por muito bem empregue, gostei muito de ver a Praga a tratar o género e a alma nacional, isto apesar de ter avançado com um pé atrás, é que muitas vezes, noutras ocasiões, senti que a Praga me esfregava auto-referencialidade e snobismo nas fuças, mas que diabo, às vezes aceito-o, eu não tenho a mesma bagagem dramatúrgica, as mesmas leituras, e nem sequer tenho essa pretensão, avançar, dei então o tempo por muito bem empregue, pois, porque foi bom ver tratados em palco, entre dourados e purpurinas e uma ou outra piscadela de olho intelectual (alegoria da caverna e etc), os grandes traumas da nação, a saber, o sebastianismo, a primeira república, a primeira grande guerra, o estado novo, o atavismo, a crise que é cíclica, a modernidade de cartão, a crendice, a emigração, a precariedade, a teresa guilherme. ri muito, pois, e aprendi, também, aprendi que o oceano que separa portugal do brasil é o pretalhão grande que andou com a marina mota e percebi que nossa senhora de fátima era uma chica-esperta, um mashup (máchupe, na versão fandanga) entre a fadista raquel tavares e a falecida ivone silva que saberia como lidar com a europa, e pronto, desta vez ninguém se mijou na minha fila mas a senhora que me calhou na ponta direita ficou várias vezes de boca aberta e nem sequer conteve um "ai que a gorda mostrou as mamas" quando a tropa se pôs na parada. só podia. alguém tinha de dizer com graça que o rei, o país, vai nu.

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por Pedro Vieira às 12:49



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