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irmão lúcia



Quarta-feira, 01.04.09

Alêtheia goes rua do século

© fotogramas vieira

estão franqueadas as portas de uma nova livraria em lisboa, aquela das elites entre outros demónios, anunciada e lançada por zita seabra, curiosamente numa padaria, base do alimento do povo, outros tempos, outras memórias, e a abertura foi um sucesso, magotes de not so beautiful people, pelo menos quando os olhamos de perto, já na antecâmara uma conhecida ensaísta agradecia a uma conhecida entrevistadora os conselhos sobre cremes enviados por email, e as vagas de gente que não paravam, a ala dos esquerdistas arrependidos, a da coqueterie que cultiva um só beijinho, entre outras, entre muitas, sempre que faço a cama lembro-me de ti, confessava uma senhora bem-posta e eu a dar de fuga, intimidades não é comigo. Entretanto a dona da casa já dava as boas-vindas, sempre sonhou ter uma livraria e tal, um par de graçolas, já citava o empresário Alexandre Soares Santos em substituição do camarada Marx, já garantia a inexistência de best-sellers no novo espaço, se querem comprar o segredo, ou o paulo coelho ou carolina salgado vão a outro lado, e estou a citar, as livrarias estão cheias de coisas que não são livros, e estou a citar, fiemo-nos no critério de zita, afinal foi ela que teve a perspicácia de antecipar o sucesso de dan brown, uma espécie de mistura entre jorge luis borges e vladimir nabokov. Ou será entre o zandinga e o gabriel alves? Enfim, coisas das letras. Por esta altura já o josé manuel fernandes tinha pegado no microfone mas com pouca projecção na voz, soava-me um pouco debaixo de água, pelo que vim cá fora em boa companhia, cuscar, cirandar, esperar pela hora do croquete, ver chegar um conhecido banqueiro com o seu motorista, ver sair um ex-ministro, uma canseira. Finda a apresentação do Passaporte lá se abriu uma brecha que permitiu conhecer melhor a livraria, bonita, sim, best-selller, não, aliás, ainda pouca mercadoria à vista, o que se compreende, muito livro em facing e imaginação na arrumação, e eis os senhores da bandeja a circular, por entre cadeiras e bancos corridos emprestados pela igreja da zona, I kid you not, aliás, já antes da abertura um padre tinha benzido a alêtheia com cerimonial e ladainha apropriados aos estabelecimentos comerciais, quem sabe o pormenor que falhou na abertura daquele famoso espaço com estante robotizada, o ateísmo paga-se caro, helas. Também houve música clássica, mais políticos a entrar e a sair, mais a senhora que acompanha os papas em viagem, enfim, uma cornucópia de sensações potenciadas pelo catering, competente e lesto, dado o número de convivas agarrados à flute da champanha diria mesmo que esta é uma livraria das elites. E dos elitros, então, nem se fala. Saúde e boa sorte, então, e valha-nos deus, que o sector do livro anda bem precisado.

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por Pedro Vieira às 10:43


5 comentários

De Zé a 01.04.2009 às 12:21

Uau... escreve um livro.

De Portaria ILEGAL a 01.04.2009 às 14:26

O blogue http://portaria-59.blogspot.com/ foi silenciado pela ditadura, para saber mais vá aqui: http://pulseiraeletronica.blogspot.com/, deve ter sido o quinto blogue encerrado em Portugal depois de vários outros terem ido a tribunal por dizerem as verdades. As eleições estão à porta mas nada faz parar a ditadura na sua ânsia de poder, neste momento desde o seu presidente de câmara municipal até ao deputado pelo seu circulo só pensam quem vai manter o tacho ou arranjar outro, não pensam em si caro eleitor que só tem voz de quatro em quatro anos nas eleições que os vão colocar no poleiro por mais quatro anos. É a pura verdade. Por isso silenciam quem lhes faz frente na tentativa de apagarem casos como Freeport, Portucalle, Portaria 59/2005, etc. É o Portugal que temos, eles vão-se apresentar a eleições brevemente, é este tipo de gente que nos governa e quer continuar a governar, desde a sua junta de freguesia até ao primeiro-ministro, já são milhares os exemplos de abandono do povo, ao denunciar isso mais as ilegalidades que cometem fecharam simplesmente um blogue que lutava pela defesa do Património e da memória de um Povo outrora chamado Portugal.
Vivemos agora em Roubugal, ditadura severa, já depois de ver o blogue fechado reparei que um endereço de e-mail onde usava a mesma password foi também apagado, quem o fez sabia ao que ia e como o fazer, além da violação da minha privacidade tive que formatar o computador pois foi impossível sacar o vírus instalado, perdi toda a informação guardada, fiquei triste e revoltado como podem entender. A coincidência de tudo ter acontecido na mesma altura em que participei na fundação do Movimento Democracia Directa talvez seja mais uma explicação ou aviso do que uma pura coincidência, não faz mal, os documentos que muitos leitores enviaram a denunciar abusos e crimes estão a salvo, venho pedir ao autor deste blogue e a todos que lerem este comentário o favor que passem este texto nos seus blogues ou que o copiem e reenviem por e-mail para todos os seus amigos, o motivo é avisar toda a gente que contactou comigo que verifique o estado do seu computador. Não acredito em bruxas, mas que existem; existem!
Saudações Sócretinas a todos.
Alexix

De Rui Pedro Lérias a 01.04.2009 às 20:51

Caro irmaolucia,

absolutamente genial. Muito obrigado.

Vês a realidade como ela é. Raro. Raríssimo!

E ler o teu relato é um prazer.

Abraço

De LAM a 01.04.2009 às 23:42

Aletheia, humm...
um nome desses só podia vir mesmo da camarada, perdão, ex-camarada.
Cum carágo, se não é criancinhas o que é que os gajos comiam ao pequeno almoço?
Num tou a ver. mas lá que batia, batia.

De Catarina a 02.04.2009 às 11:24

cum catano, a senhora que acompanha os Papas também esteve cá ontem!

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