Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

irmão lúcia



Sexta-feira, 31.07.09

eu que me comovo por tudo e por nada



a Visão desta semana traz à baila um perfil de Pedro Avillez, líder da editora Tribuna da História, chamando ao título a expressão "Um tiro no alvo" e eu solidário com a escolha, também eu já me senti alvejado pela Tribuna da História há uns meses, acontece a muitos, a todos, pelo menos aos que se põem a jeito, e a desdita conta-se em duas penadas.
Há tempos deparei com uma ilustração da minha lavra plantada num livro publicado pela dita editora, aquela que segundo a Visão ajuda a revalorizar a História portuguesa e a promover o seu conhecimento aquém e além fronteiras, eu diria que a Tribuna ajuda também à propagação da pilhagem e descaramento à portuguesa. Concebe-se um livro, procuram-se imagens que lhe dêem um ar compostinho e recorre-se ao copy-paste a partir da internet, fácil, fácil, sem pagar direitos, consultar autores, inserir créditos na paginação, um mimo de facilidades, e eu rancoroso, com pouca fé nas nossas justiças e pouco saldo para as custas, a assistir de camarote ao meu próprio enxovalho, mas hoje, depois de degustar o artigo em questão, penso de forma diferente. Afinal de contas o senhor Pedro Avillez garante que só perde dinheiro com a editora mas que ainda assim isso não lhe tira o sorriso, faz o que nunca ninguém aqui tinha feito e divulga a nossa História lá fora, espero que o faça de forma completa, com a explicação das raízes do nosso chico-espertismo de que o mundo editorial ainda se socorre amiúde, corta-e-cola e os direitos de autor a fugir a toda a brida, mas se calhar a questão nem se coloca, eu que pensava cobras e lagartos desta gente que tira vantagem comercial da pirataria já refiz o meu julgamento, eles no fundo estão a divulgar, a mimar a nossa identidade e a nossa cultura, aqui dentro, lá fora, por todo o lado, ainda por cima por simples carolice, sem forrar carteiras e nibs, pobrezitos, sinto uma Senhora das Dores a crescer-me no peito, arrependimento, acrimónia e toda uma nova vontade de participar nesta demanda. E é por isso que anuncio à Tribuna da História que já não os considero uma chusma de francis drakes dos pequeninos que lambem os beiços à custa da actividade criativa de terceiros; hoje desejo dar o meu contributo à propagação da História do nosso cantinho e como tal alerto a editora para o meu portfólio online, alojado em riscar.net, documento já organizado por áreas e categorias e clientes o que facilita imenso o copy, o paste, e todos os outros instrumentos de que se socorrem para sacar imagens da internet. Se procurarem com afinco aqui no irmaolucia talvez até encontrem outras ilustrações que vos possam interessar, só lamento não as ter organizadas ao vosso gosto, é o mal do egoísmo associado aos blogues. Da primeira vez pilharam-me o grande Aquilino, sugiro que para a próxima escolham alguém de idêntico calibre, não espero menos do vosso critério, e finalizo lançando um apelo a revisores, paginadores, impressores, maquetistas, distribuidores, livreiros, fotógrafos e ilustradores que trabalham com o mundo editorial: contribuam para o enriquecer da nossa identidade nacional oferecendo trabalho e tempo e tudo à Tribuna da História. Afinal, eles lutam por manter o sorriso e num tempo de vacas magras e caras tristes isso faz toda a diferença.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Pedro Vieira às 11:30


26 comentários

De intruso a 01.08.2009 às 13:20

Inadmissível!

De LAM a 01.08.2009 às 14:18

uma coisa é a apropriação de uma imagem para reconstruir uma outra, eventualmente até com significado e leitura diversa do original. a Arte está cheia desses exemplos e o de Warhol é só mais um e nem dos mais significativos.
Outra coisa completamente diferente é a apresentação de uma imagem de um autor, sem pretensões artísticas (a citação), sem autorização prévia do autor da mesma. Imagens, textos etc. Isso é crime aqui ou em qq parte do mundo.

De Isabel a 01.08.2009 às 16:27

Talvez pela DECO a queixa não fique tão cara. Valia a pena tentar, Pedro.

De Anónimo a 01.08.2009 às 17:04

O que te falta caro amigo é passares mais algum tempo em Odivelas. A justiça é cara, não está ao alcançe de todos. Estes problemas, entre portugueses civilizados, resolvem-se com uma espera e uns quantos murros nos cornos. Ou bengaladas se preferirmos os clássicos mais mundanos. Assim, para a próxima, o sorriso será mais franco. Se ponderares seriamente este conselho tens o meu número!

De blue a 02.08.2009 às 14:35

uma vergonha. antes de iniciar uma acção judicial, vale a pena enviar uma carta à editora, com aviso de recepção, se possível escrita por um advogado. normalmente, não é preciso muito mais, pois nenhuma editora quer pagar as custas de um processo perdido à partida.

De Luis Eme a 02.08.2009 às 17:22

infelizmente neste país vale tudo.

não são as editoras que pagam uns tostões a uns escritores fantasmas para escreverem em nome de algumas figuraças públicas, que até acreditam que são mesmo escritores nas sessões de autógrafos?

a febre do dinheiro é pior que a gripe A, e não tem vacina...

De Ricardo Machado a 02.08.2009 às 18:32

Pois é Pedro, foste vítima desse usual método da nossa praça que é o "sacar", muito comum em editoras, agências de publicidade e afins. Percebo perfeitamente a tua indignação pois já fui mais que uma vez vítima desse procedimento sem poder fazer grande coisa, a não ser assistir mais ou menos impávido. Aliás, enquanto trabalhador em agências, já fui vezes sem conta "ordenado" a executar tal acto, para bem do rápido procedimento e eficiência da agência, isto sempre com "avisos" da minha parte, claro está. Um acto mesmo muito comum... Não deixo de considerar uma óbvia sacanice, essa do sacar.
As referências gráficas nunca serão consideradas plágio quando, são usadas para uma base de trabalho ou são alteradas a tal ponto que por mérito próprio se tornam elas mesmas uma nova obra. Um bom exemplo dessa fina fronteira é a conhecida ilustração de Obama pelo artista Shepard Fairey. O teu caso é completamente diferente, pois é uma inserção de um trabalho teu, completo, sem adulteração num trabalho de paginação de uma entidade a ti alheia e sem teu conhecimento prévio.
É um mau hábito difícil de perder, infelizmente.

De Núncio a 02.08.2009 às 19:41

Eu aceito o seu convite, Pedro.
Gostaria muito de o ver trabalhar.

De isabel mendes ferreira a 02.08.2009 às 20:04

...em estado de verdadeiro espanto.


sublinho a sugestão da Blue.



abraço.

De Mad Bad Bud a 03.08.2009 às 10:27

Caro Pedro Vieira,

Já indicou que não sente qualquer motivação para referir a fonte dos seus trabalhos, pelo que a questão colocada pelo primeiro comentador e que eu subscrevi se encontra assim respondida.
Bem haja e obrigado pelo convite.

>Bud

Comentar post




pagamento de promessas para

irmaolucia[arroba]gmail.com

teologia de pacotilha (descontinuado)

professor josé cid

o meu outro salão do reino (descontinuado)

Arrastão



Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D