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e no lugar do açougue franquista erguia-se um monumento a lazer e à modernidade, à fiesta, à gigantesca operação imobiliária que se supunha ir render milhões em receitas indirectas, turismo, concessões, parques de estacionamento, e enterrar outra vez e para sempre os pobres vencidos de 1939, os soldados rasos, os que nada têm a opor às escavadoras e às niveladoras para além da lista interminável dos seus apelidos e nomes próprios, a Stéphanie ficava de repente indignada, mas não haverá um monumento?, nem uma placa?, eu respondia não te preocupes, um arquitecto brilhante há-de encontrar maneira de dissimular uma vibrante homenagem na sua obra, disposto a colocar alguns falsos vestígios de balas num muro de betão, hoje o Fórum das Culturas é principalmente utilizado para concertos, dançam ali em cima de cadáveres como em Beirute, como no BO18 da Quarentena de Beirute, mas em vez da dança da memória trata-se da dança do olvido que é a única que é permitida pela memória estatal, a qual decide onde é bom as pessoas lembrarem-se e onde mais vale meter um parque de estacionamento
in Énard, Mathias, Zona, Publicações D. Quixote, p. 218