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irmão lúcia



Quinta-feira, 09.08.12

bem-estar da malcata

é passar dias de papo para o ar sem pensar em ratings em dívidas em austeridade ou sequer nas olheiras de panda do gaspar, the man in charge enquanto o mais africanista dos primeiros-ministros molha o rabo na manta rota, que é um ai jesus de gente mesmo quando não andam lá os homens do corpo de segurança da psp, mais os militares da gnr que alguma utilidade hão-de ter quando não andam a patrulhar as estradas, mais os vendedores de bolinhas, são tantos, meu deus, alguns até as vendem em formato XL, deve ser da gulodice rendida à elefantíase, contava, o bem-estar de papo para o ar numa circunstância de pódio improvável: algarve + agosto + espaço vital, como os alemães chamavam ao leste em geral e à polónia em particular nos idos de 30 e 40, outras épocas, em que também se viviam crises na europa de andar à míngua, se bem que as de hoje, aquelas às quais se dá pouca importância quando o mar enrola na areia, também obrigam a que ande cada vez mais gente a afundar o calcanhar na areia molhada, em busca do eldorado em forma de conquilha que saia mais em conta do que nos snacks do Allgarve, sucede que eu, quando penso em conquilha, lembro-me da rábula do carlos cunha e do zé da viúva, o que é triste, porque o zé da viúva traz à ilharga o 1,2,3 e o dito concurso traz com ele o carlos cruz, figura na qual preferia não pensar numa altura em que frequento areais pejados de crianças, mas lá diz o povo, até ao último recurso será sempre inocente, portanto, evito pensar no cruz mas debalde, evito pensar nas crianças de balde, e prefiro mergulhar de cabeça no mar uivante, ululante, muitas vezes inóspito porque fresco, a remeter para o atlântico profundo, longínquo, para as paragens inóspitas onde medram os sigur rós, por exemplo, o agrupamento que a minha amiga Romana glosa tão bem com um simples uivo, a Susana, não a cantora, que cada uma é para o que nasce, vive-se tão bem no ócio, caralho, a sério, com tempo para tudo, tostar e mergulhar, comer beber homem mulher, a minha graças a deus sempre à mão de semear, dourada como as melhores fatias, deitada na toalha a trabalhar para o bronze ou aos mergulhos com os dedos em pinça em torno do nariz, evitando a intrusão das algas e os pirolitos nasais, dizia, com tempo para tudo, um courrier atrasado por dia não sabe o bem que lhe fazia, um jornal diário papado de ponta a ponta mais o deglutir descomprometido de umas dezenas de páginas de bom gosto, cortesia de um sueco desconhecido publicado na histórica dom quixote, um luxo, e ainda me calham brindes como ver um conhecido cienasta a desembarcar no areal como se fora diogo cão a aterrar na foz do zaire, só que de imperial na mão, ainda mais ufano do que incontáveis travessas de ostras a menos de um euro cada, uma pechincha de regalar e chorar por mais, aliás, corre tudo tão bem que nos dias que correm só temo levar um chapadão de um daqueles moços medalhados da canoagem que hoje fazem manchete cheia de músculos no diário da sonae. acontece que a probabilidade de tal infortúnio é baixa, já que o emanuel e o pimenta andam aos brindes em londres e não há por que embirrarem comigo, que só concorro nas olimpíadas da bloga, e eu, longe da grã-bretanha, ando por terras de portugal, como todos os ministros de sua alteza real, o massameno. há lá vida melhor mesmo com a areia, que insiste em arranhar onde não deve?

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por Pedro Vieira às 13:23


3 comentários

De beijo de mulata a 09.08.2012 às 16:21

Fosse isso uma psicose aguda e esse estilo verborreico chamava-se fuga de ideias. Nem tu sabes como eu gostava de ter um diagnóstico que arrumasse de vez com todos os escritores fantásticos para não ter de os invejar... Assim, rendo-me à evidência do brilhantismo do humor e fico-me por aqui, a lamuriar-me pelo meu pensamento concreto, ruminativo, obsessivo. E egocêntrico.

(um) beijo de mulata

De Vitor Gaspar a 09.08.2012 às 20:27

eis a retoma

De Paulo barata a 15.08.2012 às 13:59

Caro Irmão...Está tudo dito. Grande texto, que torna até desnecessário a presença do habitual "boneco".
Paulo

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