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irmão lúcia



Quinta-feira, 14.11.13

parabéns a você



parabéns a você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de estilo rufia, porque hoje é dia 14 de novembro, dia especialmente talhado para festejos, pois a minha bebé, a minha cicatriz na zona frontal da cabeça já faz um ano, está tão crescida e ao mesmo tempo tão madura, e ainda por cima casamos o festejo com o fim oficial da recessão económica (não se riam) alicerçado num milagre económico no valor de 0,2%, isto apesar de em termos homológos, etc, etc, mas enfim, a cada um os seus dias de festa, e apesar do pau enfeitado com pregos ferrugentos que o fmi nos promete para o futuro sem termo certo, podemos mesmo abrir as garrafas de champanhe, e eu para já assinalo uma cacetada com chancela oficial, corpo de intervenção e tudo, já quanto ao pau e aos pregos, paciência, lá terei de me vacinar outra vez contra o tétano da imbecilidade ideológica, o que é certo é que exactamente há um ano fui testemunha de várias coisas, entre as quais o momento mais espectacular de violência policial que pude presenciar, e olhem que eu gosto de ir a ajuntamentos, uhu, pelo-me por uma boa marcha e por uma ainda melhor refrega, ao contrário dos partidos com assento parlamentar e dos sindicatos que assobiaram convenientemente para o ar, com excepção do bloco de esquerda, que se bem se lembram é aquele partido que já foi grande em salvaterra de magos, mas adiante, um nível de violência organizada que me espicaçou a curiosidade e que me fez procurar por imagens da luta contra as propinas, que eu tinha guardado na minha memória como épica, heroica, banhada de sangue e sacrifício por um ideal, pois sim, balelas (baladas?) românticas, é o que é, revistas as imagens dessa época posso hoje afiançar que essa revolução foi mesmo uma espécie de chá dançante, contrariando trotski e as memórias piedosas de juventude, um chá com direito a confraternização imediatamente após a descarga policial, mas regressando ao século XXI, além da pancadaria, da arbitrariedade, da caça ao homem, à mulher, ao velho, ao pai-com-criança-ao-colo, ao utente da paragem do autocarro apanhado desprevenido na avenida dom carlos I, aos jovens mantidos incontactáveis e detidos ilegalmente, além de tudo isto pudemos comprovar algo muito mais interessante do que a actividade cinética da polícia de choque, a saber, pudemos comprovar que o ministro mais inteligente deste governo que nos está a tirar da miséria (consultar dados sobre milagre económico ali mais acima) é sem qualquer dúvida miguel macedo, o homem da fábula da cigarra e da formiga, o homem que conhece débord e a sociedade do espectáculo, o homem que realizou a melhor transmissão televisiva do últimos anos, contando com inúmeros figurantes, de um lado e do outro da barricada, com inúmeros jornalistas e opinion-makers, e até com a sageza que deve levar muitos anos a formar e que lhe permitiu usar a chuva de pedras como uma chuva de estrelas, espectáculo mediático da sic que canibalizava audiências a torto e a direito, recordar é viver, e essa chuva de pedras, que poderia ser tido manietada desde muito cedo não o foi, cumpriu o seu papel instrumental e serviu de busto de napoleão para a intervenção dos bófias fardados a rigor, viseira bastão escudo e tudo, que estavam lá para bater às ordens do miguel (primeira camada), que estavam lá para inocular-nos o medo (segunda camada), nomeadamente o medo físico, animal, bem-estar vs dor, um medo ao qual já se vinham juntando outros mais sofisticados como o medo em modo assombração (não posso perder este emprego, não há alternativa, não tenho direito a futuro, não tenho assim tantas saudades do meu filho emigrado, não há mais palavras senão o não) ou o medo travestido de impotência (não vale a pena sair à rua, seja de cravo na mão e a horas certas, seja noutras horas quaisquer), e reparem, esta renda de bilros de medos e estupores dá muito trabalho, estas pessoas são muito competentes, não é verdade que o governo esteja a falhar as metas os objectivos as previsões, a equipa de pedro e paulo e miguel (o mais inteligente), entre outros, vivos ou mortos (olá, vitor gaspar), está a acertar com tudo aquilo em que se empenhou a fundo, o empobrecimento, o napalm sobre o estado social, a criação do homem novo ainda mais fiel à evasão e aos mercados, sendo que os outros, o subir lall, a lagarde, o ex-maoista alapado em bruxelas, são apenas verbos de encher, são instrumentos mediáticos, tal e qual como a chuva de pedras, são pretextos, e esta equipa vai fazer tudo o que quer fazer, vai vender tudo o que se propôs vender, e quando o ciclo político mudar (não se riam) algumas coisas poderão ser revertidas mas os negócios não, esses vieram para ficar, como a minha cicatriz, parabéns a você, que ao contrário das privatizações e afins ficará como uma história boa para contar em jantares mais enfadonhos, uma história de luta, misérias, humor "e já vos contei que no hospital onde fui não havia betadine?", gargalhada geral, uma história que permanecerá, mesmo depois de todos sermos purificados por estes filhos da puta, perdoe-se-me a má-criação (deve ser na pancada na cabeça, eu antes não era assim), o que até é um consolo, pelo menos alguma coisa restará destes tempos de chumbo e protectorado, como diz o paulo, histórias, relatos, fábulas que darão fé deste enorme milagre que temos o privilégio de viver. e isso não é coisa despicienda. é até coisa sexy, como uma boa cicatriz.

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por Pedro Vieira às 21:18


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