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um dia na vida de... melhor, um dia na morte de um homem. de um jovem. 24 horas que dão corpo a um romance escrito de forma clínica, que corta cerce, sem gorduras nem sentimentalismos, numa reflexão muito bem tecida acerca da perda. a forma como lidamos, ou não, com ela, aquilo que define a vida e a morte, o modo como o próprio homem a define. e a metáfora do coração, tão estafada, tratada de forma superior. as personagens boiam numa espécie de vigilância, cada um no seu tempo e espaço que, à força da vida em comunidade, são partilhados aqui e ali com terceiros. terceiros mergulhados na dor e no espanto, gente que tem por missão alimentar o ciclo da vida, personagens que assistem mais ou menos de perto ao teatro da vida. a questão do transplante, eminentemente filosófica, atravessa o romance. a memória e a ausência também. a morte varrida do espaço público, sacrificada ao bom gosto do social contemporâneo. morremos sozinhos, a vida dos outros continua, e não há romance ou obra arte que resolva esse problema. este livro, drama pacificador, ronda lá perto.
edição teodolito.